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O livro triste - Sim, é bem triste

Acho que o estágio final é a auto-crítica. Salvo a dor da perda, você sabe que a tristeza vai acabar quando você começa a se achar um lixo (ou então você vai pro fundo do poço e se cobre com cocô). Após ver com clareza os defeitos ou erros que levaram ao seu estado depressivo auto-depreciativo é que você começa a se levantar, e acaba evoluindo. Ou seja, a tristeza é uma ferramenta pra você ser alguém melhor. Não odeie a tristeza. O livro a seguir se chama "The sad book". Michael Rosen, o autor, gosta de ir direto ao ponto. Leia:



Esse sou eu sendo triste. Talvez você pense que eu esteja feliz na foto. Na verdade estou triste e fingindo que estou feliz. Estou fazendo isso porque acho que as pessoas não vou gostar de mim se eu parecer triste.



Às vezes a tristeza é muito grande. Está em todo lugar. Toda em cima de mim.


Então eu fico assim. E não há nada que eu possa fazer sobre isso. O que me deixa mais triste é quando penso sobre meu filho Eddie. Ele morreu. Eu amei ele muito, muito mesmo, mas ele morreu, de qualquer forma.


Às vezes isso me deixa bem nervoso. Eu digo pra mim mesmo "Como ele pôde ir e morrer desse jeito? Como ele pôde me deixar triste?"


Ele não diz nada, porque não está mais aqui.


Às vezes quero falar sobre tudo isso com alguém. Tipo minha mãe. Mas ela não está mais aqui também. Então não dá. Eu acho outra pessoa e falo pra ela sobre tudo isso.


Às vezes eu não quero falar sobre isso. Pra ninguém. Ninguém. Ninguém mesmo. Eu só quero pensar sobre isso sozinho. Porque é meu. De mais ninguém.


Às vezes, porque estou triste, eu faço coisas malucas - Como gritar no chuveiro...bater com uma colher na mesa...ou fazer minhas bochechas irem uuuuf, buuuuuf, uuuuf...


Às vezes, porque estou triste, faço coisas ruins. Não posso contar que coisas são essas. Elas são muito ruins. E não é justo com o gato.


Às vezes estou triste e não sei por quê. É só uma nuvem que vem e me cobre. Não é porque Eddie se foi. Não é porque minha mãe se foi. É só porquê.


Talvez seja porque as coisas não são mais como eram há uns anos atrás. Tipo minha família. Não é a mesma, como era há alguns anos. Então o que acontece é que tem um lugar triste dentro de mim porque as coisas não são mais como antes.


Eu estava pensando em jeitos de ficar triste que não me machuquem tanto. Aqui alguns deles: Eu digo pra mim mesmo que todo o mundo tem coisas tristes. Eu não sou o único. Talvez você tenha também. Todo dia eu tento fazer uma coisa que eu possa me orgulhar. Então, quando vou pra cama, eu penso muito, muito, muito sobre essa coisa.


Eu digo pra mim mesmo que ser triste não é o mesmo que ser horrível. Eu sou triste, não mau. Todo dia eu tento fazer alguma coisa que signifique que eu tive um bom momento. Pode ser qualquer coisa tão longa que não deixaria ninguém infeliz.


E às vezes eu escrevo sobre a tristeza. Onde está a tristeza? A tristeza está em todo lugar. Ela vem e te acha. Quando é triste? Triste é toda hora. Ela vem e te acha.


Quem está triste? A tristeza é qualquer um. Ela vem e te acha.



Eu escrevo: 

A tristeza é um lugar
que é fundo e escuro
igual o espaço
embaixo da cama.

A tristeza é um lugar
alto e luminoso
igual o céu
acima da minha cabeça.

Quando é funda e escura
Não me atrevo a ir lá.

Quando é alta e luminosa
eu quero ser repentino

Esse último pedaço significa que eu não quero estar lá. Eu só quero desaparecer.


Mas às vezes eu me acho olhando as coisas: Pessoas na janela...


Um guindaste e um trem cheio de pessoas passando.


Então eu lembro de coisas: Minha mãe na chuva...


Eddie andando na rua, rindo e rindo e rindo.


Fazendo seu papel de homem velho no teatro da escola. Nós brincando de goleiro no sofá.



E aniversários...Eu amo aniversários. Não só o meu - O de outras pessoas também.


Parabéns pra você...e todas essas coisas.


E velas. Tem que ter velas.

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