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História bizarra pra caramba sobre porcos

Essa animação se chama "The pigpen" e foi feita por um cara chamado Felix Colgrave. O desenho tem traços e mecânica bem peculiares, e existem aqueles que falam sobre os significados ocultos do vídeo. Como o próprio autor do vídeo diz na descrição, "Alguns dizem que esse vídeo é sobre drogas. Outros dizem que é sobre o capitalismo. Mas ele é sobre porcos mesmo". De qualquer forma, veja o vídeo e vamos explorar as duas possibilidades.


Vamos lá. No vídeo temos um porco que vai em um lugar onde no letreiro vemos "Tudo é como deveria ser". No lugar, os porcos esperam numa fila e no ticket podemos ler: "Ao fazer contato físico com esse papel, todo dano físico e mental que você receber como resultado de fazer negócios conosco é considerado como não existente e você sempre será culpado. Como nós não existimos durante o evento no qual você recebeu danos,  caso você anuncie, seja em qualquer domínio público ou privado, em qualquer nível audível ou não, que recebeu tais danos, você será caçado por bestas sob o nosso comando, que assim como nossos serviços que podem te causar danos, não existem. Como nós não existimos no momento do ferimento, nosso estabelecimento também não existe. Em caso de uma improvável morte no nosso estabelecimento, seu corpo passa a ser uma extensão da nossa empresa, e assim como sua morte (que conta como dano na nossa política "amigavelmente divertido"), não existe mais. Portanto, qualquer ação que seja feita com o seu corpo no nosso estabelecimento nunca aconteceu. Isso inclui e não está limitado a vandalizar, remover partes, atividades sexuais e consumo físico".

Contrato capcioso

Nesse estabelecimento, os porcos levam partes de corpos de outros porcos. O cara sentado na mesa chama um por vez, pesa e dá o valor em dinheiro equivalente ao peso. Um dos porcos vende o filho bebê e pega seu dinheiro, bem constrangido. Outro ganha 4 moedas, enfia uma nas costas e começa a delirar. O nosso protagonista chega lá sem nada, tem um naco das costas arrancada e ganha uma moeda (e a faca que o cara usou pra tirar sua pele). Ele então vai pra casa, vê uns porcos verdes na rua (aparentemente pobres) e mata um deles com a mesma faca. 

Numa primeira olhada, você, leitor, pode pensar "isso é uma referência de como as pessoas são escravas do dinheiro, controlado por banqueiros que se alimentam da miséria alheia". Bom, aparências enganam. No vídeo temos que ter circunstâncias bem específicas pra ser possível esse sistema econômico. Primeiro de tudo, a única atividade econômica existente ali é a carne de porco. Nada mais pode ser tido como atividade econômica. Vemos que ele mora numa casa, então deve ter alugado ou comprado. Quem é o dono das imobiliárias é um mistério, mas ele não precisaria matar porcos pra viver, já que aluga e vende casas. Isso gera um impasse: Se o dinheiro serve como um produto "coringa" que serve pra troca de bens e serviços, quais bens e serviços os porcos teriam já que só temos casas e carne de porco? Bom, vamos esquecer isso.

De qualquer forma, essa empresa que compra carne de porco atua por coerção. Ou seja, você assina o contrato compulsoriamente ("Ao fazer contato físico com esse papel..."), e se descumprir as normas do negócio você será caçado por bestas. Mas...por que os porcos não têm outra empresa dessa pra ir? Ou melhor: Por que eles não podem exercer outra atividade econômica onde não seja necessária qualquer coisa que prejudique outros porcos? Essa é a questão: Alguém ou alguma instituição garante por meio da força que só aquela empresa exista. Se esse vídeo é sobre economia, com certeza é uma crítica à única coisa que pode proibir que empresas abram e possam competir com outras tendo um melhor serviço com melhores condições: O estado. Digo, veja quais empresas têm mais reclamações. Temos o serviço porco dos Correios e da Caixa Econômica Federal, por exemplo, que são estatais. Nos setores altamente regulados pelo estado, por meio de concessões, temos o segundo bloco de empresas com mais reclamações: Redes de telefonia, de internet, de televisão aberta e de bancos. Agora compare com empresas onde o mercado é mais livre (comparando apenas com empresas aqui do Brasil, comparar com sistemas de livre-mercado de fora do Brasil acarreta em nossa ridicularização). Você não vê milhaaaares de pessoas insatisfeitas com o Burger King, ou falando da terrível demora das filas do Shopping. Isso é porque quando o estado é o responsável por algo, ou quando ele acaba destruindo a competição do mercado, garantindo uma espécie de monopólio pra 4 ou 5 empresas, o serviço fica um lixo e nenhuma empresa vai querer melhorar o serviço porque eles são os únicos no mercado, não existe risco de vir alguém com um serviço melhor e as pessoas que precisam desses serviços são praticamente obrigadas a pagar pra eles. Mesmo com um serviço de merda eles continuam enchendo o cu de dinheiro.


A questão das drogas: Em certo momento do vídeo, vemos um dos porcos enfiando uma das quatro moedas que recebeu por um corte que fez nas costas, embaixo de uma ponte. Instantaneamente ele cria asas e depois descobrimos que ele só está alucinando. Ou seja, podemos considerar que o dinheiro na verdade representa alguma droga. Logo, a metáfora seria todo o problema que envolve o mercado-negro de drogas, desde a empresa que não existe (ou a biqueira) e o mal que você faz pra você mesmo e pros outros pra conseguir mais. Seria uma boa metáfora.

Mas, como o próprio autor do vídeo diz, é um vídeo sobre porcos.

Quem me mandou o vídeo foi o Lucas Dressler

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