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A 1ª vez: O momento em que vimos ou sentimos algo que nunca foi visto ou sentido antes

Enquanto eu fazia esse post, me lembrei da clássica cena do monólito em "2001: Uma odisseia no espaço".  Era a primeira vez que aqueles primatas viam algo que ia além do horizonte de viver em grupo, lutar com inimigos, procriar e comer. Uma pergunta nebulosa, que devia ser algo tipo "Como essa forma perfeita e escura é possível?" surgia ali naquele momento. Um leque quase infinito de possibilidades se abriu ali. A alma deles se transcendeu, se tornou algo superior ao que era antes. Todo dia você absorve informações novas. Informações que você já tinha antes são apenas identificadas. Aprender nada mais é do que absorver informações de algo que nunca foi visto antes, seja em gênero, seja em quantidade ou profundidade. Na infância, a quantidade de informações que absorvemos é grotesca, já que simplesmente tudo é novo. Criança adora perguntar e ouvir histórias antes de dormir, por exemplo, pois está formulando a síntese de como sua mente vê o mundo, que muda de segundo em segundo, num processo fascinante. A infância é mágica, pra muitos, por isso: A nossa imaginação, devido a constante absorção de informações, acreditava que o impossível e inimaginável poderia se tornar algo simetricamente oposto (ou seja, possível e imaginável) de uma hora pra outra. Em algum momento muitos perdem isso, acreditando que não dá mais pra passar do ponto em que está. As pessoas se revoltam contra o mundo, contra a sociedade, contra todos, porque não concebem mais a possibilidade de entender as coisas, e passam então a odiar as coisas. Passa então a se odiar, porque quando você limita a sua imaginação, a possibilidade de tudo fazer sentido, inclusive a vida, não existe mais. Acho que esse é o lado infantil que devemos aflorar, o de buscar ver o que nunca foi visto ou sentido. Pra você ver que isso é possível sim, veremos cegos vendo pela primeira vez, surdos ouvindo, pessoas dando de cara pra coisas que ela jurava não existir ou nem concebia a possibilidade dela pra decidir entre sua impossibilidade ou não. É mágico:

Família da União Soviética ouve o rádio pela primeira vez, em 1928:


Pessoas assistindo "Psicose" na primeira vez que ele foi exibido, em 1960: 


Pessoas na ilha de Gozo (sem piadas, por favor), que fica ao lado de Malta, vendo a primeira televisão que chegou por lá, em 1958:


Bebê ouvindo pela primeira vez, com ajuda de um aparelho auditivo:


Árabes ao viajarem pela primeira vez de avião:


A primeira escada rolante do Uzbequistão:


Falando em escadas rolantes, a primeira vez que esse senhor viu uma:


A primeira vez que esse menino ouviu a voz do pai:


A primeira vez que esse bebê vê um fogo de artifício:


A primeira vez que crianças chinesas vêem um ruivo:


A primeira vez que crianças de uma tribo do Congo vêem um homem branco:


A primeira vez que essa senhora de 100 anos vê o oceano:


A primeira vez que homens de uma tribo da Papua Nova Guiné vêem a neve:


A primeira vez que uma tribo isolada encontra o homem branco, que eles acreditavam que não existia:


A primeira vez que um pai faz o filho rir, e os dois não conseguem parar:


A primeira vez que um cego vê:


A primeira vez que um surdo tem uma conversa com alguém:

Esse é particularmente tocante. Esse cara tem 15 anos, e nasceu surdo em uma área remota de Uganda. Acontece que ninguém lá ensina algum tipo de linguagem de sinais, e não existem escolas especiais pra ele. Ou seja: Ele nunca se comunicou com ninguém. Nunca conversou. Nunca vislumbrou a possibilidade de conversar. O máximo que ele chega são os sinais que o pai dele faz pra que ele use a enxada em um ou outro lugar. Depois ele volta pra solidão. Por 15 anos. O vídeo mostra quando aulas de linguagem de sinais começam por lá. Ele foi pra aula sem nem saber o que era, porque o pai não tinha como explicar. Imagine o que se passou na cabeça dele no momento em que ele descobriu essa possibilidade:


Sabe, eu me pergunto, e essa pergunta é peça fundamental pra gerar todas as outras perguntas que me fazem descobrir o novo: O que existe por aí que eu não vi ou não senti ainda?

Pra fechar bem: Essa senhora indo pela primeira vez na montanha russa:

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