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Posso transformar pessoas más em pessoas boas?

Assim como a escuridão é apenas a ausência de luz, não sendo um objeto que provoca uma ação ou uma consequência, e sim a falta mesma de ações e consequências, a maldade é apenas a falta de bondade (daí que muitas das metáforas que colocam o bem contra o mal comparam essa luta com a luz versus a escuridão. As figuras de linguagem servem pra alcançarmos o que nossas palavras ainda não conseguiram alcançar).




Os maus não são capazes de ser bons. A bondade é um caminho difícil. Alguns bons, ao perceberem isso, cometem o engano de acharem que, por eles mesmos, podem transformar os maus em bons, sem perceber que a bondade não é algo que pode ser ensinada, embora possa ser aprendida. A frase deixa de ser estranha quando percebemos que a bondade está dentro de nós, e só pode ser aprendida e percebida quando olhamos pra dentro de nós mesmos. 

O ser humano mau é incapaz da bondade e da verdade (coisas indissociáveis e absolutas) não porque tente e não consiga, mas sim porque sua imaginação não concebe a possibilidade da bondade e da verdade. Na cabeça desse ser humano, todos são e agem igual a eles. Todos são maus e mentirosos, apenas simulando uma verdade e uma bondade pra alcançar seus objetivos (exatamente como ele faz. Costumamos projetar o modo que enxergamos o mundo pra simular como as pessoas enxergam ele também, já que não dá pra imaginar o que o outro imagina sem interferência alguma de nossa imaginação, já que quem inicia esse processo de simulação é ela mesma). 

Você pode me dizer que bondade e maldade são conceitos relativos, e que antes, as coisas consideradas como boas agora podem ser consideradas como más, em um simples mecanismo de repetição e inversão, infinitamente transformando nossa moral em algo simetricamente oposto ao que ela era antes. Caso pense assim, você enxergou apenas uma parte do prisma.

A bondade é algo absoluto que se persegue, se percebe, se descobre e se entende, não algo que podemos modelar. Novas coisas vão se tornando "más" conforme o tempo apenas porque percebemos uma nova bondade, e uma bondade, indissociável da verdade, uma vez percebida, será misturada no conteúdo da nossa caixa de bondades. Como uma tinta, que quando misturada com outra cor, se tornará uma nova cor, que não será nem a sua cor original, e nem a cor com a qual foi misturada. A nova bondade descoberta não será mais percebida como uma coisa só. Ela apenas mudará como você percebe a bondade como um todo, um todo mais evoluído.

Em certo estágio da consciência, não sei como, nem quando, e nem porquê, acontece certo estalo, onde você começa a perseguir o que transcende a sua imaginação. Você quer achar todas as coisas verdadeiras que sua imaginação nem faz ideia que existam. Quando sua consciência não atinge esse ponto, digamos que ela esteja encubada, atrofiada, não conseguiu se desenvolver direito e por isso não consegue atuar da forma que deveria, percebendo o mundo ao seu redor. A consciência do ser humano mau é assim: Ela não consegue perceber as coisas de forma plena. É como se ele enxergasse embaçado.

Sendo assim, a única coisa que permite com que esse tipo de ser humano sobreviva e desempenhe suas funções (ou seja, pegar o ônibus certo, seduzir uma pessoa que esteja apaixonada, fazer amigos, ganhar dinheiro) é o seu cérebro, que estimula essa consciência atrofiada com sentimentos e decisões automáticas.

Ou seja, tudo o que o ser humano mau, pequeno e mentiroso (a palavra maldade já comporta a mentira, são também indissociáveis, assim como a bondade e a verdade) enxerga são decisões automáticas que são justificadas na sua consciência atrofiada pelos sentimentos. Esse ser humano será capaz de tudo pra atingir esses objetivos impostos pelo cérebro dele (alimentar o ego é uma decisão muito comum desse tipo de gente, já que, na falta de um sentido, o único sentido que esse tipo de gente encontra é glorificar a ela mesma. Afinal, seu maior medo é ela não ser tão importante como pensa que é, o que abalaria todas as construções silogísticas que fez para compôr seu entendimento das coisas, sendo essa premissa a maior delas). Me engano quando disse "tudo". Ele não é capaz de dizer a verdade, já que não concebe a possibilidade das pessoas conseguirem dizer a verdade, uma vez que ele mesmo não consiga. Sim, é um ciclo vicioso. O significado de tudo o que esse ser humano disser não estará embutido na frase, sempre haverá uma intenção por trás, um ponto até onde ele quer levar alguém apenas pra alcançar seus objetivos. 

"Mas meu Deus, então eu simplesmente devo fugir dessas pessoas? Algo dentro de mim diz que tenho certo tipo de dever quanto a elas!!!" - Concordo com esse dever, mas digo como conduzir uma pessoa pra enxergar a bondade.

Uma vez que você se torna bom, você não é inteiramente bom, e você nunca deve se enxergar como inteiramente bom. Quem faz isso são as pessoas más. Tudo o que você pode fazer é tentar enxergar o caminho da bondade, e uma hora ou outra, irá encontrar. Acontece que a diferença entre as pessoas más ou boas não reside apenas em uma espécie de estado da matéria, onde você se transforma do mau pro bom. Não é química. É uma questão de índole. É uma questão de qual direção você está olhando. 

Seja. Essa é a solução. O animal aprende por imitação. O animal que percebe, ou seja, o animal bom, tem uma capacidade nova, de aprender com ele mesmo juntando as peças do que poderia ser imitado. Seja bom, e na cabeça da pessoa má, que só aprende por imitação pura (como se absorvesse por completo as coisas), talvez alguma faísca de bondade apareça quando o cérebro estiver se perguntando porque somos bons. Só assim a pessoa pode se tornar boa: Tendo uma luz pra olhar na escuridão completa, iluminando um caminho que não pode ser ensinado, mudando por completo o conceito de ser, e finalmente ser.

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