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Como funciona o processo mental pra pessoa se tornar uma mentirosa completa? Entenda:

Todo pensamento é uma potência. Tudo o que você pensa é algo que "pode ser" no mundo real. Na maioria das vezes, nós decidimos deixar o pensamento lá pela alma mesmo, no mundo das potências. Jogamos ele fora. Em outras, decidimos copiar e colar esse pensamento no mundo real. Todos os atos são cópias de nossos pensamentos-potências, e como somos seres imperfeitos, são cópias imperfeitas (mesmo que seja 0,01% de imperfeição). Quando eu penso em fazer arroz, e abro o arquivo "fazer_arroz.exe" na minha mente, que contém todos os passos de fazer arroz, desde onde ele está guardado até o momento certo de desligar o fogo, eu posso escolher seguir essa receita desse arquivo mental ou então desistir e não fazer o arroz. Apenas abrir a pasta, sem executar o programa.

Infelizmente, nossos narizes não crescem
Onde quero chegar com isso? Essa é a prova que temos um filtro que determina o que passa pro mundo real e o que fica na nossa mente mesmo. Esse filtro é você. Nada do que passa desse filtro não foi decidido por você. Você sempre decidiu deixar. As decisões sempre foram suas. Você sempre é responsável por tudo o que faz. TUDO. 100%. Se alguém aponta uma arma na sua cabeça e pede pra você entregar um amigo que está escondido em troca de sua sobrevivência, você pode decidir não entregá-lo e morrer, ou entregá-lo e sobreviver. Alguém que se sente culpado por ter entregado o amigo, nesse caso, justificaria que era a única coisa que ele podia fazer, que qualquer um faria isso, etc, como se ele não tivesse o poder de decisão de morrer pelo amigo. 

Caso você esteja pensando agora que estou apontando o dedo pra esse personagem hipotético ameaçado com a arma na cabeça, deixe isso de lado. A questão aqui é a justificativa que esse cara dá pra não ter que lidar com o fato que ele optou pela morte do amigo pra poder salvar a dele. Ele decidiu não encarar de frente essa dura verdade, fazendo um processo de troca de informações nesse mundo da mente onde ficam os nossos pensamentos pra escapar da dor de ter feito isso. 

O que ele fez foi abrir a pasta de verdades constatadas da mente, excluir o arquivo você_deixou_seu_amigo_morrer_pra_salvar_sua_pele.txt e colocou um outro arquivo artificial chamado eu_não_podia_fazer_nada_além_disso.txt. O nome que damos a esses arquivos artificiais é "mentira". 

Porém, essa não é qualquer mentira. Quando mentimos pra alguém, criamos um arquivo que contém o arquivo verdadeiro dentro dele, já que uma mentira é sempre criada em função da verdade. A função da mentira é esconder a verdade, totalmente ou parcialmente (nesse segundo caso, é uma distorção. No primeiro, uma ocultação). Nesse arquivo da mentira, você precisa criar um labirinto que 1) esconda a verdade; 2) faça a pessoa acreditar que não exista verdade nenhuma a ser procurada, ou então, fatalmente, uma hora ou outra ela iria achar a verdade e por consequência, descobrir que está inserida em uma mentira. A premissa principal da mentira é a vítima não saber que está sendo enganada.

Mas como o nosso amigo conseguiu mentir pra ele mesmo? Se você é o próprio engenheiro da mentira, como você pode acreditar nela? Em certo momento da vida de cada um de nós, por certa experiência que varia de intensidade, sofremos um trauma na mente. Esse trauma pode ser causado por você mesmo, quando você faz algo que não agrada o seu eu. No curso natural das coisas, esse trauma te colocaria em um período de desintegração, onde, perante o sofrimento, culpa, arrependimento, etc, você removeria do seu eu aquela parte desagradável e má, se tornando então alguém melhor. Mas veja, esse processo dói. Dói enxergar o imbecil que você é, na sua condição de existência única. Esse trauma também pode ser causado por outra pessoa, como em um estupro. Já ouviu falar de gente que esquece do próprio estupro? É esse processo em ação. Mas a diferença é que o estupro é um trauma extremo que não foi culpa sua. Foi um mecanismo de emergência da mente. Quando o trauma é causado por você mesmo, e você escolhe esquecer disso, o processo é totalmente diferente, já que, como eu disse, você é o engenheiro dessa mentira. Você conscientemente criou essa mentira, colocou ela em sua mente e agora acredita nela, esquecendo da sua engenharia consciente.

A partir do momento em que você faz isso pela primeira vez você colocou um vírus na sua mente (e quase todo mundo faz isso da primeira vez, muito provavelmente na infância, quando você chorava pra simular algo e após alguns segundos acreditava mesmo naquele choro). Veja, como esse vírus precisa atuar sozinho após o momento em que a programação dele faz com que você esqueça que colocou esse vírus lá, ele precisa de um algoritmo pra funcionamento próprio, ou não vai funcionar. Nesse algoritmo, contém algo que faz com que ele lute pela sobrevivência, ou seja, lute contra a verdade. Sempre que esse vírus detectar uma verdade na sua mente que possa causar um efeito dominó silogístico, ou seja, que vai ligando pensamento com pensamento até que essa mentira não encaixe mais ali e te obrigue a procurar a verdade que pertence àquele lugar, ele vai infectar essa verdade também, transformando-a em uma mentira que faça tudo fazer sentido.

Ou seja, fica óbvio aqui que ele vai aumentando de tamanho. Mas não é só isso: nesse vírus está embutido também a autorização pra mente fazer isso sempre que algum trauma causado por você mesmo apareça. E assim, gradativamente, a pessoa vai se tornando uma mentirosa. Mas porque essa autorização é obtida?

Quando eu disse que toda decisão é responsabilidade nossa, eu não quis dizer que, quando tomamos essa decisão de novo, estamos conscientes disso. Por exemplo: você pisca seus olhos o dia inteiro. Você pode piscar eles por querer, mas na maioria das vezes você nem nota esse processo. Você não fica "pisca. pisca. pisca. pisca de novo". A mesma coisa com a respiração. Você pode, conscientemente, dar uma respirada. Mas você não fica pensando "respira, respira, respira ou vou morrer". Isso é porque sua mente está programada pra fazer isso automaticamente. Ela está autorizada a pegar esse piloto automático. Só que isso não funciona apenas pra necessidades básicas de sobrevivência fisiológica. 

Lembre desses filmes onde alguém vai matar alguém pela primeira vez na vida. Isso é moralmente difícil no momento, a pessoa hesita muito pra conseguir puxar o gatilho. Depois que o cara decide pela primeira vez matar alguém, o negócio fica muito mais fácil depois, e pode chegar ao ponto da pessoa se programar pra tornar o assassinato um prazer e uma necessidade. Com a mentira não é diferente. Uma vez autorizada a entrar, cada vez mais fica mais fácil pra vários vírus de mentira criadas por você mesmo entrarem. Todos os atos imorais, caso o processo não seja parado em um momento duro de introspecção desintegrativa, passam a ser distorcidos pra serem justificados.

Você também pode ser vítima desse processo de forma diferente. Você pode notar que a pessoa que você gosta muito é essa mentirosa completa, que te engana toda hora e todo momento, e esse ser um trauma tão forte que você escolha entrar nessa mentira, e acreditar na pessoa. Já viu casais onde os dois vivem numa mentira completa, e um deles sempre fodendo com o outro, e você pensa "como isso é possível? Como essa pessoa não termina????". Ela é vítima do cara, que é vítima dele mesmo. 

Qual é o antídoto pra isso? Simples: a verdade. Caso você seja vítima desse pensamento, talvez, ao ler esse texto, uma explosão de verdade aconteça na sua mente, e você perceba todo esse processo acontecendo em você, permitindo assim que você decida remover esse vírus da sua cabeça.

E se você não é vítima disso, fica o conselho: sempre opte pela verdade. Caso contrário, o processo pode ser irreversível, e extremamente danoso pra você e pras pessoas ao seu redor.

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