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O livro ilustrado dos maus argumentos

Antes de começar, preciso falar sobre esse negócio de falácias. Infelizmente, por mais uma das centenas de consequências do lodo moral onde estamos todos enfiados, o brasileiro comum, ao tomar conhecimento da existência das "falácias", usa-a como ferramenta pra apontar o dedo pro seu adversário. Nunca passou-lhe pela cabeça a possibilidade de usar esses conhecimentos para se educar. A pessoa assim tem nojo de conhecimento. Ela quer é vencer. Pra provar isso, preciso provar que eu apontar uma falácia nunca é a vitória em um debate. 

Todo debate sadio deve objetivar a prova de algo real que está sendo contestado. Duas ou mais partes divergem sobre as interpretações do que é real, do que é correto, e elas então começam a 1) Defender o que acreditam baseando-se em argumentos e provas; e 2) Atacar os pontos onde, caso ataquem uma mentira ou engano, fica explícita a característica de falsidade pra certa afirmação.

Pra determinar quem pode ser quem em um debate, temos apenas quatro possibilidades, já que as variáveis que nos interessam são apenas duas: verdadeiro ou falso. Portanto, qualquer um dos debatedores pode estar 1) Defendendo a verdade de forma errada; 2) Defendendo a verdade de forma certa; 3) Defendendo a mentira acreditando estar certo; 4) Defendendo a mentira de forma malévola, sabendo que a coisa defendida é falsa.

As falácias só podem ser encontradas por pessoas que estão no quarto exemplo, ou pessoas do terceiro exemplo que podem ter sido "infectadas" pelas pessoas do 4º exemplo, aceitando sua lógica propositalmente falsa e ludibriadora como a verdade, mas com bom coração.

Por quê? Por que falácias só podem ser criadas e usadas conscientemente por pessoas com más intenções? Tudo isso começa na dialética erística. Arthur Schopenhauer escreveu o livro Como vencer um debate sem precisar ter razão - em 38 estratagemas, claro, não é um manual pra você, mal intencionado, utilizar em um debate. O título é um escárnio. Nele, o autor expõe os mecanismos lógicos, iguais a fórmulas, criados pra convencer você de que 2+2 é 5. A dialética erística, ou a falácia, é segundo Schopenhauer, "a arte de discutir, mais precisamente a arte de discutir de modo a vencer, e isto per fas et per nefas (por meios lícitos ou ilícitos)".

Quando você aponta uma falácia, você não aponta a prova de que você está certo. Aponta que aquele argumento não prova que o seu oponente está certo. Mesmo que ele esteja, não é essa a prova. Por que não é a prova? Se você sabe que não é, você também sabe por que não é. E se você não sabe por que não é, você também não tem o argumento que neutraliza o dele. Tanto que, justamente um dos estratagemas é a falácia da falácia

A pessoa que aponta uma falácia de apelo à autoridade quando digo que uma famosa nutricionista disse que é necessário comer alimentos saudáveis pra evitar doenças cardiovasculares, por exemplo, falaciosa é ela, que se aproveita de uma semelhança da realidade com o esquema lógico de certa falácia pra tentar provar que um é outro. 

Então lembre-se: Falácia é pra se educar, não é pra sair apontando o dedo.

O livro a seguir foi feito por Ali Almossawi, com ilustrações de Alejandro Giraldo. O guia ilustrado dos maus argumentos





























































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