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"Oi, eu sou contra o estupro" - Um recado pro zé-ruela que fala isso se achando um herói

Sempre que um caso de estupro calha de provocar comoção pública aparecem uns imbecis completos dizendo que são contra o estupro. Sabe quais são as chances aproximadas de você ser um homem brasileiro e nunca ter cometido um estupro? No mínimo 99.98%


O cálculo é o seguinte: no Brasil temos 200 milhões  e 400 mil pessoas. Vamos arredondar pra 200 milhões. Os últimos dados disponíveis de estupros por ano no Brasil são os de 2014 (que saíram no final de 2015): 47,6 mil. Vamos arredondar pra 50 mil.

Pra ser bonzinho, vamos considerar que nenhum estuprador contribuiu duas vezes pra esse número, ou seja, a cada estupro foi uma pessoa diferente. E vamos desconsiderar também os estupros onde homens são vítimas (que é grande por conta da população carcerária). Mesmo assim, com 50 mil pessoas cometendo estupros no Brasil, esse número é de 0.025% da população.

Óbvio que esse número de estupros é chocante, bem como o número de homicídios, o de roubos e o do crime que você imaginar: o Brasil vive uma epidemia de crimes, e uma crise infernal na segurança (a situação pode variar muito conforme o lugar. Exemplo: a média geral de homicídios elucidados, ou seja, aqueles onde o culpado foi condenado, é de 5%. 95% dos homicídios brasileiros não encontram a justiça).

Porém, não há a necessidade de um estudo sociológico e antropológico profundo pra notar que não existe uma "cultura do estupro", ou seja, uma crença no consciente coletivo brasileiro de que estupros podem ser fundamentados em certos fatores como o tamanho da roupa. Fora esses números, procure pelas palavras chaves "linchamento" e "estupro" no Google e ache diversos vídeos, provavelmente no Live Leak, esclarecedores quanto à posição da população em geral quanto a acusados de estupro.

A cultura brasileira odeia estupros. Estupradores são linchados na rua por todos os tipos de pessoa. Nem bandidos, que cometem roubos e assassinatos, toleram a prática. Tanto é que a cultura carcerária criou um sistema vasto e criativo para punir estupradores.

Daí já podemos concluir que é um(a) patife quem usa esses casos para criar uma guerra de mulheres x homens, se sustentando nas neo-matilhas que são os "Movimentos Sociais", instrumentos criados pra modificar valores de uma nação inteira via chantagem emocional e terrorismo psicológico, além de servir como ótima massa de manobra pra eventuais campanhas de emergência do Partido que detém o comando de tais Movimentos.

Mas não são desses(as) babacas que falo aqui hoje. Falo dos suprassumos do heroísmo que são as pessoas contra o estupro.

Você quer um troféu?

Digamos que aconteça um caso de pedofilia que cause comoção pública. Faz algum sentido você fazer uma declaração pública se colocando contra a prática? "A cultura da pedofilia precisa acabar!" e em seguida convida a todos pra um protesto na paulista "contra a pedofilia". Você não consegue ver o quanto isso é ridículo?

Digo, você quer algum tipo de troféu porque não cometeu um crime hediondo, porque não fez uma prática monstruosa, diabólica, e digna de pena de morte? Quando você sai na rua e dá bom dia pra um desconhecido, você pressupõe que ele não seja um estuprador, assassino, ladrão, mentiroso, porque pressupõe que exista um mínimo pra pessoa ser considerada gente. Quem não tem esse mínimo merece alguma punição que temos na cabeça pra essas pessoas, e pro estupro geralmente é linchamento até a morte. O que você quer, ao dizer isso, é passar uma imagem usando o discurso fácil do momento. O que você quer é adulações, elogios, atrair pessoas, grudar a imagem bela a você, sem notar que essa imagem é "não-estuprador".

Então temos o problema, que é um número alarmante de crimes por conta de um sistema de segurança completamente falho somado a uma crise moral com raízes nefastas e complexas, que precisam de aprofundados estudos e análises pra ser corretamente entendida. Só que aliado a tudo isso temos pessoas que 1) Ao invés de tentar criar um senso de união nacional, onde os únicos lados existentes são o Bem e o Mal, tentam separar pessoas por castas pra encontrar um bode expiatório que, uma vez sacrificado em um altar, dará a paz eterna para certo grupo e; 2) Os otários que começam a se achar a nata da moralidade humana e divina porque nunca estupraram ninguém.

Se esses dois grupos parassem de ser tão cuzões e narcisistas, quem sabe conseguíssemos pelo menos começar a caminhar pra uma solução desse e de tantos outros problemas. Do fundo do meu coração, vão tomar no cu.

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