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A história COMPLETA do Adventure Time - Pt.3: A Era do Milênio (Vida da Marceline)






Já passamos pela pré-história, onde os alicerces desse mundo nos são explicados até o horizonte da compreensão humana, pela guerra que altera a "flexibilidade" da nossa realidade depois de sua última explosão com uma bomba um tanto macabro, pela história do Rei Gelado e de como ele é ligado à Marceline. Agora, depois de sua partida, resta a nós seguirmos ela pra termos um guia nessa história. Entre agora e os tempos presentes, onde se passa o desenho, teremos mil anos. Então prepare-se. Faça uma pipoca, pega sua coberta preferida e boa leitura!


Índice:


A História Completa do Adventure Time 


3. Era do Milênio - Parte 1: A vida de Marceline


Intervalo de mil anos entre a Guerra do Cogumelo e a Era Moderna

3.1 Hunson Abadeer
3.2 A Solitária Princesa Demoníaca
3.3 Marceline, a Caçadora de Vampiros
3.4 A Tribo Humana
3.5 O Rei Vampiro
3.6 Criação do Reino Gelado
3.7 A Rainha Vampira e o Rei Gelado

3.1 Hunson Abadeer



"Eu vou arranjar alguém pra cuidar de você. Vou garantir que ele não te abandone..."

Marceline passou a sua primeira noite sozinha chorando em seu travesseiro, de coração quebrado e entorpecida, como em um leve estado de choque. Não podia ser real. Quatro anos, e agora terminou. Simples assim. Quatro anos de choros e risadas, explorando o mundo e encarando perigos, lutando pela sobrevivência um do outro. Pela primeira vez, quando acordasse de manhã - se é que vai conseguir dormir - ela não veria Simon ali. A solidão fez ela sentir mais frio do que os sentidos quando perto de um dos surtos da Coroa. Quando resolve se deitar em seu abrigo solitário, ouve um barulho ao pressionar o travesseiro contra o chão. Era uma carta. 

"Querida Marcy. Se você está lendo isso, nosso tempo juntos acabou. Sinto muito ter feito você assistir à minha alma se esvair. Não consigo imaginar o quão difícil deve ter sido lidar com a pessoa perigosa e insana que me tornei. Mas creio que essa carta irá me redimir de alguma maneira".

"Depois de vasculhar por todos os rituais existentes e centenas de criaturas sobrenaturais que eu e Betty registramos, acredito agora que seu pai seja uma espécie de rei morto-vivo, ou um Lorde demoníaco conhecido como 'O Sem Nome' (Nameless One) em uma dimensão paralela chamada Noitosfera".

"Eu consegui, Marceline! Eu completei o ritual! O portal se abriu! Um rasgo entre as dimensões apareceu. Eu vi Hunson e ele me viu. Cada um de nós olhando o outro por aquele estranho rasgo na barreira que separam os dois mundos. Depois eu joguei a magia de ligação no seu pai, o portal se fechou e tudo ficou escuro. Só Deus sabe o que eu fiz. Tudo o que eu sei é que vou te deixar aqui, ir pro norte e ESTABELECER O MEU REINO, COMO NOS TEMPOS ANTIGOS, GUNTER!"

Ali, sentada, com onze anos de idade, abandonada em um mundo pós-apocalíptico, ela acaba de saber que o seu pai está não só vivo mas é rei dos demônios presidindo o que é equivalente ao inferno dos demônios. E estava ali do lado dela. Um pouco pra esquerda, bem ali na parede. A carta continha instruções de como abrir o portal, e ela podia abrir um ali na parede pra encontrar o seu pai pela primeira vez. Agora Marceline estava cansada. Sua cabeça girava onde confusão e náuseas tomam o lugar da tristeza que ali reinava. Sobrecarregada, ela finalmente dorme.

Quando acordou, pela manhã, alguma coisa tinha sumido. Não era ruim. Era...diferente. Marceline se sentia mais ciente de si mesma e de seus arredores, e um aroma curioso surge em seu radar. Um cheiro forte, que a guiou pra floresta, onde logo encontrou um acampamento. Pela primeira vez em sua vida, Marceline encontrou criaturas vivas que não são ela, Simon ou os monstros da cidade: lobisomens.

Ao contrário do que você pensou, ela fez amizade rapidamente. Era irmãos, chamados Remi e Rosella. Por dias ela viajou com eles, aprendendo tudo sobre a espécie e compartilhando experiências que tiveram no pós-guerra. Estar com eles ajudou com que ela pensasse sobre tudo, começando vagamente a se reconciliar com a realidade de herdeira do rei, e lidar com a tristeza da perda do Simon. Meio nervosa, uma dia ela se abriu com os irmãos, falando sobre quem ela acha que poderia ser, e como ela estava decidindo ir ou não se encontrar com o pai.

Ao ouvirem, a orelha dos lobisomens subiu. Disseram que o Sem Nome, como o conheciam, não era de brincadeiras. Confirmando as teorias de Simon, Remi e Rosella falaram tudo sobre o imenso poder e autoridade de Hunson Abadeer, e sobre o medo sem precedentes que seu nome provoca em tudo o que é sobrenatural.

Mas, surpreendendo Marceline, os lobisomens concordam em fazer o ritual que o invoca. Aliás, isso será um erro.

3.2 - A Solitária Princesa Demoníaca



"Ele é horrível! As primeiras pessoas que entro em contato e a primeira coisa que ele faz depois de me encontrar é sugar a vida delas. Agora eles são cachorros murchos na sujeira. Não foi nada pra ele!"

"Quando toquei no machado, senti uma estranha sensação percorrendo minhas veias, como um sobressalto de energia. Tem alguma coisa nisso. Bom ou ruim, não me importo, foi um presente do meu pai e vou gostar dele pra sempre. Estranho como os seus sentimentos podem mudar de uma hora pra outra".

"Eu estava TENTANDO ser legal. Achei que podia tirar o melhor de uma situação horrível. Pensei que o pior tinha acabado. Mas então ele roubou DE MIM. DE SUA PRÓPRIA FILHA".

(Diário da Marceline)

Marceline, Remi e Rosella fizeram o ritual para invocar Hunson, e nada de bom aconteceu depois disso. A primeira coisa que Hunson fez foi sugar as almas dos únicos amigos de Marceline, fazendo um corte profundo pra engordar a coleção de cicatrizes dela. Ela ficou aterrorizada e com raiva, mas acima de tudo, ficou desnorteada como nunca antes. Era pro encontro com seu pai trazer um sentido a tudo, dar respostas e fazer com que ela se sentisse amada, mas nada disso aconteceu.

Por semanas eles ficaram lado a lado, ela tentou de tudo pra dar certo, tentou fazer com que seu pai fosse o homem que nunca conseguiu ou pôde ser. Em alguns momentos ela começou a gostar genuinamente dele, afinal, tinha um imenso carisma demoníaco, só que não duravam muito. Ele era imprudente, violento e arrogante, e sempre estragava as coisas. Ele contou um pouco sobre a mãe dela, levou-a a um parque de diversões, e deu de presente uma relíquia da família: o Machado Abadeer. Ainda assim, ele matou os únicos amigos dela, e depois a matilha inteira de lobisomens.

Marceline conseguia suportar os defeitos do pai enquanto estes afetavam apenas outras pessoas, até que eles se viraram contra ela. Cansada, Marceline fez o pai estacionar em uma parada de caminhoneiros, onde ela fritou batatas, um auto-presente pra renovar seu espírito. Foi ao banheiro, e quando voltou, seu pai havia comido tudo. Aquilo, de alguma forma, foi a gota d'água pra ela, que abriu o portal novamente e mandou seu pai pra Noitosfera. Sozinha de novo (pense: encontrar batatas e um lugar pra fritá-las em um cenário pós-apocalíptico deve ser bem difícil).

Procurando por alguma direção, algum objetivo a ser alcançado, ela lembrou de um prédio onde funcionava um shopping. Ela e Simon passaram por ele em uma das cidades que atravessaram juntos. Ele pediu que fosse pra lá caso se separassem um dia. Sabia ela que Simon não estaria lá, mas foi mesmo assim, desesperada pra fazer algo que ocupasse sua mente. Por algumas semanas ela ficou no shopping, lendo livros, provando roupas e tocando músicas no contra-baixo que ela fez a partir do Machado Abadeer. Lá encontrou um novo amigo, uma espécie de cachorro-zumbi que ela chamou de Schwabl. Finalmente um que não fosse abandoná-la ou que não poderia ser morto pelo seu pai. Toda noite ela dormia abraçada com o cachorro em um mundo que, de forma estranha, ficava cada vez mais frio.

3.3 Marceline, a Caçadora de Vampiros


"Eu caço vampiros por sua causa! Matando vampiros e protegendo os últimos humanos restantes. É como se eu estivesse te protegendo. Foi a única coisa que me trouxe felicidade por anos".

[Episódio 4, 7ª Temporada]

Uma quantidade de tempo desconhecida se passa. Marceline parece mais velha. Ela e o Schwabl saíram do shopping há muito tempo. Ela parece estar seguindo a vida bem. Fez um acampamento com estoque grande de comida e mantimentos. Nas horas vagas, pratica no seu contra-baixo e lê tudo o que pode.

Um dia, algo estranho acontece: um humano aparece em seu acampamento. Animada, ela vai dar oi. Conforme se aproxima, o seu coração bate tão rápido que quase para. O homem tem um longo cabelo branco, e por um segundo ela pensa ser o Simon. A ilusão se vai quando ela vê também, acompanhando ele, uma mulher e uma criança. Uma família a achou.

Antes que ela pudesse chegar neles, uma estranha criatura sai do nada e se prepara pra atacá-los. Sua pele fantasmagórica e suas orelhas pontudas lembram um pouco dela mesma, só que muito mais monstruosas. Então decide gritar pra família fugir, mas seus instintos demoníacos falam mais alto e ela investe contra a criatura. A família foge em pânico enquanto Marceline rola na lama com a criatura, tentando matá-la de algum jeito. Ela não tem armas a sua disposição, e as forças são equivalentes, não há como dominar a situação. Conforme rolam e se confrontam, Marceline acha um pedaço de pau pontiagudo, e rapidamente o enfia no coração do bicho, que se transforma em uma núvem de gás brilhante. Ela acaba de matar seu primeiro vampiro.

Conforme a adrenalina vai sumindo de seu sangue, seu coração é preenchido com um novo propósito. Ela não vai mais andar sem rumo pelas cidades, olhando apenas pro passado e se sentindo impotente. Se aquela família estava viva, devem haver mais delas por aí, e se existem mais delas por aí, existem mais vampiros querendo o sangue dessas famílias. Com o seu sangue demoníaco lhe dando poder, ela pode combater os vampiros e ser uma guardiã. Depois de todos esses anos sendo protegida, agora é ela quem iria proteger. Ela faria isso pelo Simon.

"Eu devo muito a ele por ter salvo a minha vida e ensinado quase tudo o que eu sei. Sinto muito a falta dele. Sempre vou amá-lo"

3.4 A Tribo Humana



CRIANÇA: "Isso é sério, Marceline. E se eu fosse um vampiro? Você precisa de um chapéu animal"
MARCELINE: "Parece que o projeto está indo em frente, hein?"
TOM: "Ei, Marceline!"
MARCELINE: "Two Bread Tom, como é que vai?"
TOM: "Estou ótimo, comi um sanduíche. E os consertos no navio estão quase prontos. Acho que estamos prontos pra navegar em um dia ou dois".
MARCELINE: "Nossa, isso é muito bom. Mas ouve: eu já matei quase todos os vampiros que existem. Em uma semana ou duas vocês nem precisam ir embora!"
TOM: "Ah, Marceline, você é uma menina doce e estranha. Mas não são os vampiros ou os Ooozers. São as últimas leituras da atmosfera. Tá tudo estranho. Tem algo grande vindo e isso vai mudar tudo. O melhor que podemos fazer é sair desse continente".

[Episódio 7, 7ª Temporada]

Mais alguns anos se passa, e a aparência dela agora é a que conhecemos dos desenhos. Desde aquele primeiro vampiro, ela se tornou uma expert em caçá-los, bem como uma ótima baixista. Seus poderes demoníacos ficaram mais fortes, e durante suas caçadas descobriu uma habilidade interessante: a de sugar a essência de coisas vivas, como seu pai faz. Numa vez, após intensa perseguição em uma cidade, ela conseguiu absorver a essência de um dos vampiros mais fortes: o Tolo. Tal essência deu a ela o poder da levitação. O Tolo era membro da Corte, uma Realeza dos vampiros. Cada membro da corte tinha um poder que os vampiros normais não tinham: levitação, hipnose, controle da forma do corpo e regeneração instantânea. Ao descobrir isso, Marceline quis absorver os poderes da Corte e destruir a colmeia de vampiros onde ela governava, em uma jogada audaciosa pra eliminar de uma vez essa raça da Terra. Com esse intuito, ela arrumou suas coisas e partiu para as florestas, onde a colmeia ficava.

Um dia, procurando por comida, ela pega algo que pensa ser um coelho. Pra sua surpresa, é uma criança humana, vestindo um chapéu com orelhas de coelho (quase idêntico ao que o Finn usa). Marceline se desculpa, mas ao sorrir e revelar suas presas de demônio, a criança foge, aterrorizada. Ela tenta pegar a criança pra esclarecer a situação e porque ela temia pela segurança dela. Assim, ela descobre um acampamento de humanos, onde todos vestiam um capuz que imitava a cabeça de um animal. Depois ela descobre que isso é uma medida de segurança: aquele capuz era grosso o suficiente pra não deixar as presas do vampiro passarem. Ela tenta se apresentar pras pessoas, mas flutua ao ir na direção deles, e assusta a todos.

Mais tarde, o grupo se reúne em outro acampamento, sem saber que Marceline seguiu-os. O líder do grupo, conhecido como Two Bread Tom, pega um violão e começa a tocar a música "According to our new arrival" (ouça aqui). Nos arbustos, ouvindo tudo, Marceline começa a tocar a música também. A criança ouve, vai até ela, oferece uma coxa de frango e, com gestos, diz pra ela tocar mais. "Você quer que eu toque mais?". É quando Two Bread Tom aparece com todas as pessoas e confirma, pedindo pra ela se juntar a eles. Graças à música, ela ganhou a amizade deles.

O acampamento ficava numa parte da floresta que se encontrava com o mar, e ela passaria uns meses por ali, protegendo-os de vampiros enquanto continuava com sua missão de destruir a colmeia. Nessa empreitada, ela consegue matar mais dois vampiros da Corte: a Imperatriz, que tinha a habilidade da hipnose, e a Lua, que podia se regenerar. Com esses novos poderes absorvidos e seu sangue demoníaco, Marceline passa a ter grande força. A sua missão de eliminar todos os vampiros, talvez, logo esteja completa.

Mas parece que os humanos temem algo além de vampiros e ooozers. As noites geladíssimas que Marceline vivenciou no shopping chegaram na floresta, e os humanos acham que esse é o primeiro sinal de uma grande mudança. Eles vêm trabalhando em um barco, fazendo consertos pra poderem sair do continente em busca de uma terra paradisíaca, sem vampiros, ooozers, criaturas bizarras e mudanças atmosféricas dramáticas. Tal continente ainda virá a ser Ooo. 

Acontece que os vampiros restantes sabem que os humanos planejam ir embora, e eles não querem deixar a única fonte de comida deles partir.

3.5 O Rei Vampiro



REI VAMPIRO: "Você pode parar isso agora, Marceline. Não é tarde demais. Você tem poder agora, eu vejo. Mas você não pagou o preço. Isso está te deixando louca. Não há nenhum vampiro além de mim. Você quer extinguir uma espécie inteira?"
MARCELINE: "Pela última vez sim. Esse é todo o meu plano".
REI VAMPIRO: "Então que seja. Sabe, Marceline, tem outro jeito".
MARCELINE: "Não enche".
REI VAMPIRO: "Não. Um outro jeito de salvar o meu povo".
MARCELINE: "Espera! NÃO!"

[Episódio 12, 7ª Temporada]

O Rei Vampiro e o Hierofante - o último membro da Corte vivo -  reuniram o que restou de vampiros na colmeia pra começar um plano de investida contra os humanos. Enquanto trabalhava no deck onde ficava o navio, o Hierofante, que podia se transformar, se infiltra no acampamento disfarçado de Schwabl com o intuito de fazer um banquete. Ele se revela e, após uma luta aérea, Marceline consegue matá-lo e sugar o seu poder, que talvez não seja o suficiente pra enfrentar o que vem a seguir.

Das sombras da floresta surge o Rei Vampiro, que calmamente vai em direção a ela. Ele estava sozinho agora. A caçadora de vampiros não deixou ninguém pra ajudá-lo. Marceline é um bom oponente pro rei: meio-humana, meio-demônio, que sugou os poderes dos vampiros mais fortes que já existiram. O Rei, óbvio, é bem forte também. Ele tem grande força física e poderes telecinéticos incríveis.

Os dois lutam e logo estão parecendo trapos. Porém, o Rei não quer matá-la, pois vê nela algo parecido com ele: uma criatura imortal com grande poder andando sobre as formigas que vivem na Terra, e nela residiam os poderes de vampiros históricos. Ele não iria querer eliminar tudo de sua espécie. A luta acaba com Marceline vitoriosa após a desistência do Rei. No golpe final da luta, o rei sucumbe e deixa com que ela enfie uma estaca em seu coração, só que com um plano em mente. Quando Marceline se aproxima pra enfiar a estaca, eles trocam falas e, de surpresa, ele a morde.

O Rei vira aquela nuvem de gás, mas ela está agonizando de dor e não consegue sugar sua essência. Com a mordida, seu sangue demoníaco começa a ferver, e ela começa a se transformar em outra coisa. Um tipo muito mais poderoso de imortalidade nasce nela. Sua mente fica nublada, e uma sede insaciável de sangue humano surge. A Rainha Vampira nasceu.

Ela se contorce no chão por conta da dor. Seus amigos humanos se aproximam pra ajudá-la, mas ela grita pra ficarem longe. Sua mente gira e seu coração fica negro, enquanto instintos ferozes começam a tomar conta dela. O delicioso cheiro do sangue daqueles humanos invade suas narinas. Ela entra em pânico enquanto adrenalina, medo e fome tomam o seu corpo. Sabe que precisa ir embora. Com a pouca força que lhe restou, ela consegue pegar o Schwabl e sair voando pra longe. O mais longe possível. O quanto conseguir até aquela sede por sangue tomar a sua consciência. Consegue então chegar em uma caverna, onde desmaia enquanto exaustão e um novo modo bizarro de vida tomam tudo ao seu redor.

Quando ela acorda pela manhã, percebe que fez algo horrível: Schwabl está no chão, exaurido, com a vida nos olhos indo embora e duas marcas de dente em seu pescoço. Marceline agora se odeia. Ela não podia ter deixado isso acontecer de novo. Não era pra ela deixar seus amigos outra vez, ou deixar com que um deles morressem, e agora ela mesma matou um. Desesperada pra salvar o cachorro, ela começa a procurar por algum tipo de salvação. A procura não dura muito tempo, já que logo ela acha um acampamento cheio de magos.

Ela entra cheia de raiva (de si mesma) no acampamento, exigindo uma cura pro cachorro. Os magos, temendo pela vida, pegam um estranho livro e anotam uma magia que ela pode usar. Com a magia em mãos, Marceline se prepara pra ir embora, mas os magos decidem atacá-la. Óbvio que foram trucidados, e agora ela tinha o livro. De volta à caverna, ela se prepara pra fazer o ritual. Então recita as palavras anotadas e olha, ansiosa. O cachorro começa a ter uns tremeliques e segundos depois estava latindo e pulando. Ela fica feliz, mas está cansada. Cansada e com muito frio.

A batalha, e todas as outras antes dessa, todas as suas perdas, seu coração partido, e anos vagando por aí deixaram Marceline extremamente cansada. Os vampiros se foram e os humanos estão seguros. Ela e Schwabl estão seguros e vivos. Conforme o mundo se aproxima de uma grande transformação, pensa ela que finalmente poderá descansar. Marceline aproxima o cachorro dela, usa o Enquirídio de travesseiro, e entra em uma hibernação profunda.

3.6 - Criação do Reino Gelado



Em algum lugar, bem ao norte do continente, uma terrível tempestade de neve está crescendo, e a cada dia ela fica mais forte. Um homem que já foi conhecido como Simon Petrikov está parado no centro da tempestade, alimentando-a em meio ao desespero remanescente de sua antiga alma. Desespero por ter perdido sua querida Betty e sua preciosa Marceline. A Coroa agora se prepara pra tomá-lo completamente, e como ele não tem pelo o que lutar, não luta. Ele e a Coroa se tornaram uma coisa só, e juntos como o Rei Gelado, eles colocam o mundo em uma terrível era glacial. Por séculos a nevasca continuará, onde essa assustadora nova entidade erige o Reino Gelado.

O antigo reino de Urgence Evergreen nasce na terra de Ooo.

3.7 - A Rainha Vampira e o Rei Gelado



Séculos depois, o mundo descongela e Marceline acorda de seu sono. Enquanto dormia, a raiva que alimentava a Coroa se dissipou, e tudo o que restou do Rei Gelado foi um homem velho e sozinho. Contudo, não havia nada de Simon Petrikov ali. O jeito de falar, o jeito de pensar e o de agir, tudo diferente. Mesmo assim, parecia que um pedaço de Simon controlava aquele Ser. Talvez pela vontade reminiscente de saber o que houve com Marceline.

O Rei Gelado apareceu várias vezes na porta de Marceline durante os séculos que se seguiram após o descongelamento, mesmo sem saber por quê. Ele sabia que eram amigos, mas não lembrava de toda a história, e não entendia os olhos tristes de Marceline toda vez em que o via.

Ela tentou fugir pra longe dele, pra não ter que ver o que restou de Simon, sem sucesso, porque aquela parte do Simon conseguia encontrá-la. Meio milênio se passa, e Marceline já sabe que não importa o que ela faça, o Rei Gelado nunca sairá de sua vida. 

"Por que você continua vindo me ver se não lembra de mim? Você não se lembra de nada! lembra, Simon?"

Leva muito tempo até Marceline se reconciliar com o passado e aceitá-lo. E quando conseguiu, percebeu que Simon estava em algum lugar ali dentro do velho louco. De certa forma, ele fazia ela rir e sorrir e esquecer de todos os seus problemas, como nos bons tempos.

E como essa trágica história termina?

"Bom, a pequena Marcy se sentiu muito melhor, e ela e o Simon viveram felizes pra sempre"
"Nossa, que legal!"
[Temporada 4, Episódio 25 - "Eu lembro de você"]

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