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A primeira missão aparentemente estranha do Católico nesses tempos: a Cruzada do Coração

"Vai chegar um tempo em que os homens não mais suportarão a sã doutrina, mas, sentindo cócegas nos ouvidos, reunirão em volta de si mestres conforme suas paixões. Deixando de ouvir a verdade, eles se voltarão para fábulas".

"Nos últimos dias virão tempos difíceis: os homens serão egoístas, avarentos, fanfarrões, orgulhosos, maldizentes, revoltados contra os pais, ingratos, ímpios, desnaturados, implacáveis, caluniadores, indisciplinados, desumanos, inimigos de todo o bem, traidores, atrevidos, cegos de orgulho, mais amigos de prazeres do que de Deus"

São Paulo, na segunda carta a Timóteo. Rogai por nós.



A situação parece perdida. Os que notam a coisa que se forma (ou já se formou), impelidos pelo sentimento primeiro de raiva contra os que nos corrompem, jogam seus olhos pra bela história das cruzadas, e apostam em algo parecido. Pegar em armas (ou espadas, dizem alguns), e expulsar seja lá quem for o responsável por isso. Sem perceberem que, na "Era da Razão", que se tornou a "Era da Informação" e na verdade é a "Era da Mentira", o Inimigo ataca dentro dos corações. O inimigo das Cruzadas era diferente: invadia os países com espadas, gritando coisas incompreensíveis mas que certamente não poderiam ser boas, e matavam e estupravam todo mundo. A reação só podia ser uma, ou a morte, não só física, como cultural, espiritual.

O Inimigo hoje é um tanto diferente: ele faz a pessoa querer se entregar. Ele conquista os corações. Aparece em um comercial de TV qualquer, uma música em algum lugar, talvez até em um panfleto ou por uma boca, e sussurra pra você fazer o que quiser. Sussurra pra você amar a si mesmo mais que tudo. Você sabe muito bem a grande quantidade de corações o Inimigo conquistou. Como pegar em espadas, se o Inimigo está dentro dos corações que pretende salvar? A circunstância é outra.

Outros apostam em uma retomada das "torretas" culturais. Tomar os postos de comando das redes de televisão, jornal, editoras de livros e gravadoras musicais. Refazer a "tática gramsciana", mas dessa vez com o "time do bem" jogando esse jogo. Com isso, em alguns anos, ou algumas décadas, os que mandam na cultura estariam passando boas mensagens, e os corações do povo seriam reconquistados para o bem, provocando uma era de prosperidade e etc. Essa também não é a solução, por dois motivos:

Tal "tática" que tomou os "meios de comunicação" nada mais é do que o escorpião "tomando" seu próprio ninho. Se as mensagens trazidas pelos meios de comunicação são feitas pra corromper, não seriam eles mesmos feitos pra levar tais tipos de mensagem? Será que alguém se infiltrou nos meios de comunicação, ou esses meios respondem ainda aos seus criadores, respeitando o motivo pelo qual foram criados? Se você se ilude com uma grade televisiva "do bem", sinto em lhe informar, não vai acontecer. Voltando ao escorpião, é como esperar que ele produza mel.

O segundo motivo é que, mesmo que fosse possível tal tomada cultural, aqueles que se dizem "de direita" não estão nem um pouco capacitados pra isso (aponto pra esses, pois são eles que dizem "lutar contra o gramscismo/marxismo cultural"). Não estão porque os próprios conceitos "direita" e "esquerda" são armadilhas, e se você denomina-se inserido em uma delas, obviamente caiu. Ser da "direita" é pertencer a uma abstração (operação intelectual em que um objeto de reflexão é isolado de fatores que comumente lhe estão relacionados na realidade, o que já impede uma auto-análise objetiva, condição intrínseca pra que se possam fazer movimentos no mundo real) cartesiana que respeita o materialismo histórico de Karl Marx. O materialismo histórico é uma "ferramenta" que passa a recontar a história e as motivações humanas a partir dos bens materiais disponíveis naquela situação. Ora, o que te coloca pro campo "direito" desse plano cartesiano? A resposta você deve saber: a diminuição da influência do estado na economia. Esse é o eixo X do espectro político: econômico. O eixo Y diz respeito às liberdades individuais, ou algo assim, mas o X diz respeito apenas ao eixo econômico, e é o eixo X que define quem está na "direita" ou na "esquerda".

Ou seja, alguém que, sem perceber, está inserido, englobado, tragado, e ainda defende um conceito daquele que julga ser um grande inimigo, não tem capacidade alguma de lutar contra esse inimigo: já foi derrotado. "A direita" é uma grande cruzada quixotesca. Por isso creio que essa solução, a da "retomada cultural" não seja a ideal. Até porque não enxergo como "cultura" os programas de auditório, ou alguns livros, já que essas coisas são reflexos, e não sementes.

O Católico então, que concorda com o exposto no texto, se pergunta: "oras, o que faço então?". Primeiro, precisa fazer uma escolha: você quer mesmo ser Católico, ou gosta demais dos prazeres desse mundo? O que as más línguas pedem? "Liberdade", "faça o que quiser", "ame a si mesmo mais que tudo", "transe", "use", "compre", etc, etc, etc.

Não há muito tempo, enquanto me fazia essa pergunta, percebi o quanto ela era covarde. O quanto eu era covarde. Essa pergunta na verdade é "o que eu faço então sem ter que preparar a minha alma, sem ter que me mortificar, sem ter que me livrar dos vícios e das tentações?". A primeira missão parece ser muito simples, mas talvez seja a mais difícil, porque se conseguir realizá-la, estará preparado pra todo sofrimento. A primeira missão é se livrar dos seus vícios. Parar com as bebedeiras, viver de forma casta (é, meu amigo), largar qualquer anestésico de consciência, treinar pra que se parem as mentiras e auto-mentiras, treinar pra que se parem as calúnias, treinar pra ter paciência e amor mesmo pra quem te calunia, treinar pra parar de exigir a cabeça seja lá de quem for em praça pública, treinar pra tudo perdoar e tudo suportar. Por que treinar? Por que entrar nessa academia da alma? Dirá você que isso parece muito pequeno, que diante da gravidade da situação essas coisas podem ser deixadas de lado, mas digo: é exatamente você deixando essas coisas de lado que as coisas se tornam graves. Como lutar contra o Inimigo, se ele está em seu coração também? Então que se elimine ele primeiro de lá.

Cristo nos trouxe uma espada sim, mas você precisa ser digno de usá-la. Também não me julgo digno de tal coisa, mas faço grandes avanços dentro desse campo de batalha que é meu coração. Um dia tenho fé de que poderei empunhá-la. Mas nesse caminho percebi que ele é o certo, e com grande alegria aponto ele pra você também.

Pregue o Evangelho, e se necessário use palavras. E sempre lembre-se do que Jesus Cristo mesmo disse: as portas do inferno nunca prevalecerão sobre a Igreja Dele. Você prefere Ele, ou seu guru?

Até mais, e fique com Deus.