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Por que acreditar em Deus? E por que a Igreja Católica?

Deixarei aqui essa resposta, que será feita com o devido zelo, se tratando do importante assunto, pra toda vez que alguém me perguntar essa justa questão. Pra que eu possa deixar essa resposta completa, devo considerar também os ateus que porventura fazem a pergunta. Então, antes de decidirmos qual religião está certa, precisamos passar por dois pontos: Deus existe? E se sim, qual religião está certa? Afinal, existe uma certa? Todas estão certas? Vamos do princípio.


1. Deus existe?


As mentes modernas de hoje, digamos, mais "sensatas", dizem que até o presente dia essa pergunta não tem resposta. Outros, ateus, cravam a estaca: Deus não existe e pronto. Nenhum dos dois casos alcança alguma verdade. Os primeiros estão errados porque essa pergunta há muito foi respondida. Os segundos, porque Deus existe.

Existem diversas formas de alcançar o conhecimento da existência atuante de Deus, mas escolhi uma: a 1ª via de São Tomás de Aquino: o Motor Imóvel de Aristóteles.

No livro XII de sua Metafísica, encontramos o que Aristóteles chama de Motor Imóvel. Anteriormente, ele mostra que toda potência, ou seja, capacidade em potencial de algo, necessidade de um ato doado por algo que o continha. Exemplo: a bola de futebol tem a potência de sair em direção ao gol em alta velocidade, mas agora está parada. É necessário que seu pé, com a força em ato de sua perna, transfira essa força pra bola. Assim, a potência da bola se torna ato. Agora pense que existe algo como a "estrutura geral da Realidade" (que só pode ser completamente conhecida por Deus, como veremos adiante), ou seja, esse grande conglomerado de coisas que recebem atos pras suas potências e transferem outros atos pra outras potências. As "coisas" nessa estrutura mecânica de transferências de atos e potências ele chama de "motores".

Voltemos ao exemplo da bola. O pé chuta a bola, e ela vai pro gol. O pé, nesse caso, é o primeiro motor, e a bola, o segundo (já que a bola também irá transferir algum ato seu pra uma potência, e ficar com a potência no lugar). Mas algo decidiu chutar a bola, o dono da perna, por um acaso. Então temos que o 1º motor é a alma, o 2º motor é a perna e o 3º motor é a bola (não vou enfiar sistema nervoso, e outras coisas mais profundas ou já ficaríamos com 300 motores só nessa parte). E podemos continuar: essa pessoa não surgiu por ela mesma, nem seus pais por eles mesmo, nem sua localização geográfica no campo de futebol surgiu por ela mesma: todas as coisas estão inseridas em alguma parte dessa gigantesca e emaranhada sequência multilateral da mecânica geral dos motores. Onde isso vai parar?

Existem três hipóteses. Uma é que essa sequência segue infinitamente e nunca acaba, mas isso é completamente impossível. Toda finitude implica em matéria, como diz Aristóteles. Coisas finitas não poderiam formar algo infinito, já que, em tese, seria uma infinitude de coisas finitas. E mais, se tudo fosse infinito, se tornariam uma coisa só, porque seriam um, não infinitos. A matéria se separa uma da outra por sua finitude, e portanto diferenças. E se acabam, não há infinitude. É como aquele ramo negativo da fórmula de Bháskara: você o descarta de imediato como hipótese A segunda hipótese é que as coisas vieram do nada. Simplesmente existia o nada, e daí, pluft, tudo surgiu. Pergunto então: como o não-ser pode vir a ser por interferência apenas dele mesmo? Se algo estava em estado de "não-ser", não tem como esse algo que no momento não é, transferir algum ato pro seu eu posterior que, na hipótese, viria a ser. É outra conclusão impossível. Nos resta apenas a terceira hipótese, que Aristóteles defende: existe um primeiro motor, que fez o primeiro movimento, e que deu origem a todos os outros movimentos. Uma explosão de conclusões surgem daí.

Diz Aristóteles: "Dado que aquilo que é movido e propicia movimento é intermediário, há algo que propicia movimento sem ser movido, sendo uma essência e uma atividade eterna"

Isso quer dizer que o Motor Imóvel, como Aristóteles chama até então, precisa ser eterno. Eterno porque se foi o primeiro motor a causar movimento, a Causa de todas as causas, nada antecede a Ele. Isso implica que Ele não pode ser movido, como todos os outros motores. Lembre-se do léxico: "ser movido" é ter um ato doado pra alguma potência sua. Se Ele não pode ser movido, quer dizer que não pode ter nenhum ato transferido a Ele. Se Ele deu origem a todas as coisas e não pode ter nenhum ato transferido a Ele, quer dizer que contém todos os atos em si. O Motor Imóvel então é ato puro. Então temos "algo" Eterno que contém todos os atos em si e que deu origem a todos os movimentos na mecânica geral dos motores. 

Mas não se trata de "algo", e sim de um Ser. Por quê? Temos "algo" eterno, que sempre foi, sempre é e sempre será. Nada pode mudar isso, a não ser...Ele mesmo. Não há explicação mecânica ou natural pro desencadear de movimentos que começa no Motor Imóvel. A única coisa que poderia começar esses movimentos é o próprio Motor Imóvel. Ou seja, "isso" é Ele. Ele só pode ter decidido o início de tudo.

Sendo assim, primeiro podemos concluir que todos os atos existentes na realidade partiram Dele, ou seja, que Ele está em todo lugar. Confirmamos assim sua Onipresença. Se é um Ser, como mostrei, e em tudo está, então é Onisciente, pois tudo sabe. E se está em todo lugar, sabe tudo e tudo criou, então é Onipotente, pois pode tudo.

Temos então que o Motor Imóvel aristotélico é um Ser Uno, ato puro, Onisciente, Onipotente e Onipresente, ou seja: Deus.

2. Por que a Igreja Católica?


A não ser que você consiga contestar de forma válida o que até aqui foi dito, Deus existe. Sendo assim, os que entenderam isso vão pra próxima dúvida: "Ok, mas qual é o Deus certo?". É uma justa questão também, diante das milhares de religiões que dizem ter o caminho certo (sem contar as que dizem que não tem lá um caminho certo, que qualquer um tá bom, e as que dizem que todos os caminhos são certos. Exploraremos todas as hipóteses).

Vou considerar que o leitor está em um ponto zero, indeciso igualmente por todas as religiões. O que temos em mãos até agora? As "pistas" que encontramos no Motor Imóvel aristotélico. Uno, pois ato puro e eterno, Onisciente, Onipotente e Onipresente. Um Ser Uno que contém 3 qualidades eternamente em ato, a do saber tudo, a do poder tudo e a do estar em todo lugar. A trindade "oni" traz três qualidades que são uma ao mesmo tempo, uma implicando a outra em interdependência eterna. Seria essa uma trindade nuclear a Deus? Não, mas dá uma pista de seu "núcleo", digamos. Toda criação é análoga ao Criador. Se algo é criado ou gerado, ou provém de, esse algo precisa ter características análogas aquilo que procede. Essa unicidade da trindade dessas primeiras três qualidades divinas que achamos só podem ser análogas ao Ser que pertencem, então, de alguma forma (tal forma veremos daqui a pouco), Deus precisa ser Uno e Trino ao mesmo tempo. Antes de prosseguir, vamos explorar o que prometi, já que, primeiro, precisamos entender o motivo de ser necessário escolher apenas uma religião.

Existem, de novo, três hipóteses: a primeira é a de que nenhuma religião está certa. Podemos eliminar essa hipótese se 1) Deus não existe, o que foi mostrado como errado aqui, ou; 2) Deus existe, mas nenhuma religião prega o Deus certo. Guarde a opção 2 no bolso. A segunda hipótese é a de que todas as religiões estão certas de alguma forma. Essa hipótese se mostra impossível quando, analisando certa gama de religiões, vemos que uma nega a outra. Alá nada tem a ver com Vishnu, etc. Acreditar no sistema onde está inserido Vishnu implica em não acreditar no sistema onde está inserido Alá. Essa segunda hipótese é uma auto-negação. Façamos de novo como no resultado negativo da fórmula de Bháskara. A terceira hipótese é a de que apenas uma religião está certa.

Sobra-nos então o item dois da primeira hipótese e a terceira deles. Hora de checar na realidade.

Existe uma religião que prega o Deus Uno e Trino, Eterno, Onisciente, Onipresente e Onipotente? Sim! E ela é a Igreja Católica. Voltemos à "trindade nuclear" que mencionei entre aspas. É a Igreja Católica quem mostra que Deus é Trino (Pai, Filho e Espírito Santo) e Uno ao mesmo tempo, pois é um. É a Igreja Católica quem prega o Deus que se apresenta como "Aquele que É", batendo com sua eternidade de ato puro. Essa "trindade nuclear" é a Santíssima Trindade, mistério tão grande que nunca chegaria ao nosso conhecimento se não fosse revelado por Jesus Cristo. Vamos cruzar isso com o axioma "toda criação é análoga ao Criador". Se de fato o que digo for verdade, a Realidade baterá com nossas comparações. 

Detecto duas trindades unas que provém da Santíssima Trindade: a Onisciência, Onipotência e Onipresença, e a Verdade, a Bondade e a Beleza. Se você remover qualquer um de suas trindades, todo o resto perde o sentido. Se tudo sabe, tudo pode e está em todo lugar. Se tudo pode, está em todo lugar e tudo sabe, e se está em todo lugar, tudo pode e tudo sabe. Toda Verdade é Boa e Bela. Toda Bondade é Bela e Verdadeira. Toda Beleza é Verdadeira e Boa. Digamos que são trindades nobres (desconheço o termo correto pra isso, caso haja um, perdoem-me a ignorância). Indo mais além na sequência dos "motores", encontramos uma trindade de nossa realidade: Tempo, espaço e matéria. O tempo se divide em uma trindade também: passado, presente e futuro, bem como o espaço, com largura, profundidade e altura, e a matéria, sólida, líquida ou gasosa. De novo: removendo qualquer coisa de suas respectivas trindades faz com que tudo desmorone, e como as coisas não desmoronam assim, desse modo não é.

A Igreja Católica (palavra emprestada do grego que significa "universal", "aquilo conforme o todo") deve fazer jus ao seu nome, caso seja a correta, não? Pois ela é a primeira religião exotérica da História. O que isso significa? A religião esotérica é aquela que só revela seu conhecimento conforme o membro vá evoluindo nos níveis dela. Você precisa ser iniciado, pertencer a certa casta, nascer em certa árvore genealógica, e uma vez que saiba dos segredos da religião, não pode contá-los a ninguém. Antes da Igreja Católica, todas, sim, todas as religiões eram esotéricas. Não só elas: muitos filósofos usavam o mesmo método. Só revelavam coisas a seus estudantes que deveriam guardar segredo. 

Jesus, trazendo a Nova Aliança, muda tudo, e manda que uma Igreja pra todos pregue a palavra até para os pagãos e aqueles tidos como não merecedores disso, o que deixou muitos membros de religiões esotéricas ensandecidos, já que, se aquela ideia se disseminasse, tal nova religião seria um perigo pra deles. Por isso a primeira religião pra todos e que prega justamente o Deus Uno e Trino se chama Católica.

E é por isso que você deve se converter. Há muito mais pra ser visto.

Obs.:

Cristo mudou completamente muitas outras coisas (cada dia descubro mais uma), e por isso dá início a uma nova era da humanidade. Quer um exemplo? No livro "O Bode Expiatório", o antropólogo francês Rene Girard mostra que até Cristo, as sociedades estavam presas no mecanismo sociológico que dá nome ao livro. A sociedade entrava em períodos cíclicos de crise, e o alívio dessa tensão sempre vinha por meio do sacrifício de alguém tido como culpado de tudo. Era escolhido um culpado dentre os culpados, por motivos corretos ou não, e este era destruído. De novo a sociedade gozava de paz, até que um tempo depois o mesmo ocorreria. Uma das coisas que Jesus Cristo muda com seu sacrifício é isso: o bode expiatório do alívio temporário pela vingança é destruído com o Cordeiro de Deus do amor eterno pelo perdão. A lógica vingativa e demoníaca que preponderava foi substituída pelo perdão eterno do Ser puro que foi morto violentamente pelas mãos da própria criação perdoada.

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