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Após tragédia com 22 mortes, Walmart retira jogos violentos das prateleiras (mas continua vendendo armas)


No dia 3 de agosto um homem entrou armado em um Walmart de El Paso, no Texas, e começou a atirar. Até agora, 22 mortos. Após o incidente, a empresa tomou medidas pra que ninguém dissesse que eles estão incentivando a violência ou facilitando tragédias do tipo.

E qual foi a medida? Um memorando que circulou dentro da empresa vazou e mostra as medidas imediatas após o tiroteio:


"Ação imediata: remover placas e displays referentes à violência", lê-se na circular. As instruções dizem pra desligar qualquer televisão onde esteja rodando demos ou trailers de jogos de tiro, ou com qualquer tipo de violência, bem como cancelar qualquer evento relativo a esses jogos. Todos os jogos de combate e de tiro foram alvo da ação.

Após a Vice publicar o memorando depois dele vazar no Twitter, vários funcionários entraram em contato anonimamente com o veículo. Um deles disse:

"Eu fui pro trabalho sábado e eles me deram uma cópia desse memorando. Eu imediatamente joguei aquilo fora porque é uma maneira de desviar a culpa. Enquanto isso, nada foi feito quanto à venda de armas". 

Após os tiroteios de El Paso e outro, em Dalton, também em um Walmart, a narrativa de que os videogames são os culpados pelos atos violentos e tragédias com vários mortos.


Mas vamos aos fatos: de fato, deixar displays com gente atirando de metralhadora na sua loja onde ainda ontem várias pessoas morreram porque alguém matou um monte de gente é um tanto insensível. Parece plausível tirar os displays mostrando um monte de gente morrendo assassinada, mesmo que seja uma ficção. O que parece incongruente é não parar a venda de armas.

E não é sobre ser legal ou não vender armas, se devemos ou não estar armados. É sobre a incongruência: ou não tira nenhum dos dois, ou tira os dois. De fato, por causa disso, essa tensão dos "gamers anti-armas" vs. "armados anti-gamers" é criada, e o Walmart acaba ficando em um fogo cruzado da opinião pública, além de ter que lidar com a tragédia que ocorreu em um de seus estabelecimentos.

Se tivesse tirado os jogos e as armas, ninguém estaria falando nada. Se não tivesse tirado nenhum dos dois, ninguém estaria falando nada também. Decisões desesperadas quase sempre dão errado. Depois desse tiro que saiu pela culatra (eu juro que não estou fazendo trocadilhos), o Walmart passou a dar declarações confusas sobre o ocorrido, até negar que tenham feito isso, embora já existam evidências consistentes de que de fato, fizeram.

Fonte: Unilad e Vice