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Instagram proíbe filtros que façam você parecer alguém que não é


Na última semana, a Spark AR, empresa por de trás dos filtros de realidade aumentada do Instagram, fez um importante anúncio no Facebook que mudará a política de filtros da rede pra melhor. Afinal, os filtros começaram inocentes e divertidos, com carinhas de cachorro, simuladores toscos de neve, e coisas que obviamente não podiam ser confundidas com a realidade.

Mas com os avanços tecnológicos, uma tendência um tanto bizarra começou a surgir entre diversos usuários, bem longe de serem inocentes orelhinhas de cachorro. De acordo com uma pesquisa, as cirurgias faciais aumentaram drasticamente depois do advento de filtros hiper-realistas que moldam o rosto da pessoa, afinando o queixo, mudando o nariz, engrossando os lábios, delineando o formato dos olhos, dentre outras coisas.




Entre 2013 e 2018, as cirurgias cosméticas no rosto aumentaram em 21.8%. Então, entre 2018 e 2019, aumentaram novamente em 21.9%, um número maior em um ano do que nos 5 anos precedentes. Se antes os filtros serviam de uma brincadeira fictícia, agora passaram a ser a base pra quem você quer ser de verdade, em detrimento do que você é agora. Tanto é que uma nova síndrome passou a ser registrada: a "dismorfia do Snapchat". Uma matéria da Vice, que fala sobre isso, toma como exemplo uma mulher que fez cirurgia pra ficar parecida com aquela mulher que ela se tornava após o uso de filtros.


E não pense que o termo é uma gíria: a "dismorfia do Snapchat" foi citada em um artigo médico publicado na Boston Medical Center. Segundo o relatório, os filtros que "melhoram" o seu rosto estão tendo um profundo impacto na auto-estima daqueles que o usam. A dismorfia já existe, e consiste em achar que seu corpo não é como deveria ser, e pessoas que sofrem com isso muitas vezes terminam gastando milhares (e até centenas de milhares) em cirurgia até mudarem a aparência de modo chocante.

De acordo com o relatório, o fenômeno de tais filtros está "embaçando a linha entre fantasia e realidade" das pessoas. Elas realmente passam a achar que são aquelas pessoas do filtro, e não elas mesmas. E daí vamos para o fenômeno do "cat-fishing".




O fenômeno consiste em marcar um encontro com alguém pela internet, usando uma foto que dista muito da sua aparência na realidade. Muitas vezes, a pessoa tenta ao máximo, com truques de maquiagem, ficar parecida com aquela pessoa do filtro, que não é ela. Embora muitas piadas sejam feitas em torno disso, isso só comprova que realmente a linha entre fantasia e realidade é embaçada pelo uso de filtros, já que nas redes sociais muita gente também tende a assumir uma personalidade que não é a delas mesmas na realidade.

Voltemos à Sparks AR, a empresa por de trás desse filtro. Dizendo que querem que os filtros sejam uma "experiência positiva", disseram que estão "reavaliando suas políticas e como elas se relacionam com o bem-estar". Mas o que isso significa: todos os filtros de "cirurgia plástica" ou "realidade aumentada" que mudam a sua aparência de modo que pareça real pra quem veja pela internet foram tirados das galerias. 


Fonte: The Mind Unleashed