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Pai oferece ao filho $1 por cada livro, já deu $120 e recebe críticas pelo método


David Woodland é um homem casado e pai de 4 filhos. Ele se preocupa muito com a educação de todos eles, e quer que eles se apeguem pelo amor ao estudo. Por isso bolou uma estratégia: sugeriu aos filhos a oferta de 1 dólar pra cada livro lido.




Claro, não se tratam de um Vade Mecum, mas sim de livretos infantis, com cerca de 150 páginas cada um. Os filhos pensam então que saem muito no lucro: ganham dinheiro lendo livros, coisa que gostam. Segundo o pai, ele já deu 120 dólares aos filhos como pagamento pelos livros lidos.

Além disso, eles têm um horário pra dormir, mas se for pra ficar lendo, esse horário pode ser estendido. Seria essa uma boa tática de fazer os filhos afiarem a razão e desenvolverem o amor pela leitura?

David fez uma série de publicações no Twitter pra contar sobre tal método, e muita gente gostou, já que os tweets chegaram a quase 500 mil curtidas.


 



De fato, o homem recebeu muitos elogios, porém, de outro lado, muitas críticas, o que é inevitável quando alguma coisa sua chega a ser visto pelo mundo inteiro. A principal crítica se baseia em um estudo da Universidade de Princeton chamado "Motivação Intrínseca e Extrínseca", de Roland Bénabou e Jean Tirole (você pode lê-lo na íntegra aqui)

O estudo abrange não só os estímulos entre pais e filhos, mas também entre patrões e funcionários, governo e sociedade, ou seja, estímulos em gerais. 

Em certa parte do estudo, é lido: "incentivos de performance oferecidos por um principal informado* (gerente, professor, parente) pode adversamente impactar a percepção da tarefa por parte do agente (trabalhador, criança), ou de suas próprias habilidades. Incentivos são só reforçadores fracos ao médio prazo e negativos ao longo prazo", falando de incentivos monetários ou de pontuação.

*Em uma linguagem mais acadêmica, um "principal informado" seria alguém que dá início a uma cadeia de atos que visa certo fim. Coisa de francês.


 
 
Já uma mulher, chamada Amanda H., disse: "Como filha desse tipo de pais, posso demonstrar: precisei de terapia"
Bruno Larvol então diz: "Incentivos artificiais. Isso mata a alegria do aprendizado. Faz isso ser passageiro. Por favor, tente ensinar a alegria do aprendizado, ao invés".
Outro ironiza: "imagine ser pago por seus pais por qualquer um de seus feitos".
Matthew Eisner sintetiza tudo o que está sendo dito aqui e todas as outras críticas: "Cuidado por anexar incentivo financeiro a algo que você quer que seja feito por motivação intrínseca - quando o incentivo desaparece, o comportamento provavelmente vai desaparecer também". Mathew diz ser um especialista em behaviorismo aplicado à tecnologia.


 
O pai se defende, e diz ter lido as críticas. Em entrevista ao Bored Panda, ele alega que não planeja pagá-lo pra sempre, mas só até ele pegar o hábito. Segundo o pai, o próprio filho sugeriu que não havia mais necessidade de pagamento, "mas mesmo assim pagamos, afinal, é só um dólar".Muitos pais ficaram do lado dele, mostrando medidas parecidas, mas os estudos tendem para o outro lado.

Seja como for, fica o registro.