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Tecnologia do Blogger.

Empresas estão usando I.A. pra treinar gerentes em demissões e são acusadas de "desumanização"

 

Uma empresa chamada Talespin está vendendo pra outras empresas uma tecnologia de treino para gerentes e chefes. A tecnologia, batizada de "CoPiloto", é segundo eles "uma tecnologia virtual de treinamento humano que usa VR e I.A. para ensinar aos funcionários como ter liderança e habilidades de comunicação.

 

Tal tecnologia, voltada para gerentes ou seja quem for que tenha cargos de liderança, simula um funcionário que deve ser demitido, por exemplo, e ele terá uma série de emoções e reações baseadas nas atitutes e falas do aprendiz que usa o VR.

 


Então tal aprendiz deve desenvolver suas habilidades em técnicas psicomotoras de "convencimento", bem como a saber "como demonstrar empatia" e como provocar "desescalonamento", técnica pra conduzir uma pessoa de uma emoção ruim pra uma emoção boa.

 


Kyle Jackson, CEO da Talespin, diz sobre a mais nova tecnologia: "a premissa por detrás do software é dar aos funcionários um lugar seguro para praticarem situações interpessoais desafiadoras, usando I.A. pra criar personagens emocionalmente realistas que os estimulam e os desafiam". Eles apresentam a tecnologia com o Barry, um dos personagens do "jogo". 

 


A empresa usou reconhecimento de fala, processamento de linguagem, sistema de "score" pra ranquear emoções e reações, feedback dinâmico e sistema de gerenciamento de aprendizado, ou LMS, e assim, os personagens podem manter conversas fluídas com a pessoa usando o VR, demonstrando reações emocionais realistas e entender o contexto das coisas que são ditas.

 

Cada personagem tende a representar um caso comum de problemas durante demissões. O Barry, por exemplo, é aquele idoso que "deu duro por décadas" na empresa, espera gratidão, mas precisa ser demitido pois não produz mais o que produzia antes. O treinamento consiste em demitir o Barry sem que ele cause problemas.

 

Em alguns cenários, se o gerente não conseguir lidar com a situação, ele pode chorar, em outros cenários ele pode ficar brabo e gritar, mas se tudo der certo, ele aceita de bom grado a sua demissão, e esse é o objetivo do jogo. Se por um lado tal coisa seja bem interessante pra empresas que queiram formar sociopatas, a tecnologia tem recebido duras críticas por parte do público.

 

No Twitter, um homem chamado EmericanJohnson compara a tecnologia com o "tipo de desumanização que damos aos soldados pra que eles matem estrangeiros".

 

 

 

Outro usuário diz que "as implicações do motivo de treinar alguém pra isso são um pesadelo. Só de saber que isso existe me faz querer chorar.

 

 

Mesmo com tais críticas por parte do público, a empresa já recebeu 15 milhões de dólares em investimentos após o anúncio da tecnologia: 

 

 

Ou seja, quer você queira, quer não, logo as empresas contarão com exércitos de sociopatas treinados.