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Zoólogos estudam o reconhecimento de cães entre si e acabam fazendo pesquisa extremamente fofa


A etologia é a área da zoologia que estuda o comportamento dos animais, uma área muito interessante que atraía muitos naturalistas antigos. E quando a etologia decide estudar os cachorros, os estudos têm grande chance de serem muito fofos (tirando os do Pavlov).




Um desses estudos ficou tão fofo que acabou viralizando no Twitter. Publicado no Research Gate, o estudo foi visto pelo doutorando em psicologia clínica Benjamin Katz. O moço gostou tanto de ler o estudo, de título "Discriminação Visual das Espécies nos Cachorros", que resolveu compartilhá-lo no Twitter.


"EU ACABEI DE TOPAR COM O ESTUDO REVISADO POR PARES MAIS FOFO QUE EU JÁ VI E PRECISAVA FAZER UMA THREAD SOBRE ELE", disse o animado estudante na rede social.



 

Segundo Benjamin, todo curso de introdução à psicologia cognitiva tem pelo menos um capítulo falando sobre como sabemos que cachorros são cachorros, afinal, eles diferem muito entre si. Já esse estudo, que pertence à etologia, quer saber se os cachorros sabem que cachorros são cachorros.

 

9 cachorros foram selecionados para as experiências que determinariam os resultados que poderiam mudar o mundo da etologia como o conhecemos. Babel, Bag, Bahia, Bounty, Canail, Cusco, Cyane, Sweet e Vodka.

 

 

Percebe-se que cada um deles tem um fenótipo diferente, pois a intenção dos pesquisadores é saber se eles reconhecem cachorros mesmo que eles difiram muito entre si, do mesmo jeito que nós reconhecemos ser um cachorro tanto um poodle quanto um pastor alemão. Além disso, também poderia ser verificado se um border collie percebe melhor do que um labrador ou vice-versa.

 

E como os testes foram feitos? Um cachorro era colocado diante de duas cabines. Em uma dela aparecia uma foto de um não-cachorro, ou seja, um humano, ou vaca, ou hamster, ou qualquer animal não-cachorro.

 


 

Então nossos 9 heróis começam a ser colocados em frente às cabines, e sempre que eles escolhiam ir até o cachorro no momento em que as fotos apareciam, eles ganhavam um petisco. Após um tempo, eles sabiam que se fossem até o cachorro, ganhariam algo gostoso.

 


Agora então poderia ser começado o estudo. A cada rodada, um dos 9 se deparava com uma cabine mostrando um animal aleatório, e outra cabine mostrando um cachorro, mas em cada rodada era um cachorro bem diferente do outro. Veja, por exemplo, a labradora Bahia acertando qual era o cachorro:


 

Eles fizeram 10 tarefas diferentes e só passavam pra próxima tarefa quando aprendiam a reconhecer corretamente os cachorros na tarefa anterior. Em uma tarefa, era só visão de perfil, em outra era de frente, e assim por diante.

 


Se fosse uma competição, Bounty teria sido a última colocada. Na última sessão ela foi tão mal que os pesquisadores tiveram que apresentar dois resultados da pesquisa: um considerando a Bounty, e outro não considerando ela. A Vodka derrapou na primeira sessão, mas se recuperou nas 9 subsequentes, assim como a Babel.


Já a Cyane e o Sweet, que puxam mais pro lado do pastor-alemão, foram os melhores.


Bounty teve uma atuação vergonhosa durante o estudo, mas continua sendo uma boa menina
 
Vemos também que alguns cachorros iam bem numa sessão e mal em outra, e os etólogos dizem que tal inconstância pode ter acontecido por conta de instabilidades emocionais pertencentes ao cão, como a Bahia.

Mas o Benjamin Katz resume a conclusão do estudo caso você não queira ler o paper inteiro: 1) Todos os cachorros são bons cachorros; 2) alguns cachorros são melhores do que outros cachorros pra reconhecerem cachorros; 3) Todos nós escolhemos a carreira errada, menos os pesquisadores desse estudo, que devem ter se divertido bastante fazendo amizade com os 9 totós.


A thread do Benjamin no Twitter chegou a quase 100.000 curtidas, mostrando que o pessoal curtiu bastante o estudo.


Caso seja da área, você pode ler o paper completo aqui.